Livro junta realidade e fantasia no carnaval de Salvador em história de terror inusitada

A abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito está intrigando a população e despertando a curiosidade de todo o mundo. A CPI investiga a chacina de personagens folclóricos da cultura brasileira. Este é apenas um dos elos que conectam realidade e fantasia no novo livro de Ian Fraser, "Noir carnavalesco", que será lançado pela Pyro Editora, selo especializado em horror e literatura fantástica.

Assim como os dois livros anteriores de Fraser - "Araruama, o livro das sementes" e "Araruama, o livro das raízes" -, a nova obra tem financiamento coletivo, baseado na plataforma Catarse. Os dois primeiros volumes arrecadaram mais de 100 mil reais. Neste, a meta é de 34 mil reais; metade já foi alcançada.

"A gente está fazendo um livro ousado, com acabamento de primeira. Por isso, a meta é alta. A gente quer entregar um produto inacreditável", diz o autor no vídeo de divulgação da campanha de arrecadação, postado no Youtube.

De fato, a edição promete ser muito bem cuidada. "Noir carnavalesco" tem consultoria folclórica de Andreoli Costa, leitura crítica de Clara Mandrigano, capa de Giovana Cianeli e artes de  Will Chamarro e Guilherme Mota, além da edição de Filipe Nassar.

Entre as recompensas para quem participar da coleta, estão  cartazes do Saci, do Boto, do Mapinguari, do Curupira e da Mãe d'Água assinados pelo artista Fernando PJ. Essas artes também estão porta-copos e avisos de porta.

A história de "Noir carnavalesco" se passa em Salvador, a partir de 1994, em plena época do carnaval, logo após a ocorrência de um fenômeno de ruptura da barreira entre realidade e fantasia. No enredo, tem curupira que é motorista de uber, barba-ruiva eleito deputado e boto detetive particular.

É este boto, cujo desenho parece homenagear o personagem Rick Blaine, vivido por Humphrey Bogart em "Casablanca", quem toma à frente da trama, ao investigar o sumiço de uma adolescente chamada Verônica Marte. Tudo se complica com as ruas de Salvador fervendo por causa do Carnaval e recheadas de lendas vivas.

"No ar carnavalesco, filetes de serpentina e confetes coloridos voam ao léu; bonitinhos e ordinários, eles pintam o firmamento noturno, completamente ignorantes à sarjeta emporcalhada que os aguarda uma vez que toquem o chão. Se Sodoma e Gomorra tombaram com fogo e enxofre, aqui, meu louro, as belas e as feras dançam requebrando até o chão e o juízo final é banhado com pequenos pedaços de papel reciclado", conta o autor, em um dos trechos do livro.

Ainda dá tempo de participar do financiamento coletivo, para viabilizar o lançamento da obra. O prazo fatal é 5 de julho, à meia-noite. Mais informações no site da Catarse.

 

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